Como a 4ª Revolução Industrial influencia no ensino oferecido pelas escolas

Educação midiática, cultura maker, robótica são algumas das novas disciplinas adotadas pelas escolas que querem desenvolver competências para o século XXI



Primeiro as máquinas, depois a eletricidade e, recentemente, no século XX,foi a tecnologia da informação que abriu espaço para mais uma Revolução Industrial. Até agora, as três foram complementares em seu desenvolvimento tecnológico. Mas a 4ª revolução, própria do século XXI, promete inovar nos sistemas e na mentalidade humana, impactando não só a indústria, mas também o mercado de trabalho, a economia, a educação e os processos cotidianos.
Acompanhar essa série de avanços, na velocidade em que eles se apresentam, exige uma adaptação constante de habilidades para ensinar as futuras gerações a lidar com um mundo cada vez mais distante da configuração das primeiras revoluções. Por isso, é importante repensar a estrutura das disciplinas nas escolas e o papel da educação nesse cenário conectado.
É o que diz Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, que lançou um projeto chamado EducaMídia em junho de 2019, com o intuito de capacitar educadores para implementar planos de aula voltados para a leitura crítica da mídia. Em parceria com a Secretaria de Educação de São Paulo, o Instituto ajudou a construir uma disciplina eletiva de educação midiática, a ser implementada nas redes de ensino em 2020.
“Enxergo a Educação 4.0 como uma oportunidade de criar um ambiente novo aproveitando todos os cenários que a tecnologia nos traz. As crianças estão sendo apresentadas a ferramentas sem ter competências para usá-las corretamente e, por isso, é urgente incorporar a educação midiática nas escolas, até como um ganho para outras disciplinas”, acrescenta Patrícia.

Caminhos abertos pela BNCC
A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em agosto de 2019, abre caminhos para que novas disciplinas sejam trabalhadas em sala de aula. Habilidades socioemocionais, cultura maker, programação, empreendedorismo,  robótica e educação midiática são alguns dos exemplos previstos pelas competências estabelecidas na Base.
A ideia das formações realizadas pelo EducaMídia é fazer com que os educadores de todas as áreas possam trabalhar a educação midiática, as experiências mão na massa e a cultura digital em suas disciplinas. Sendo assim, os estudantes estarão mais aptos a se relacionar positivamente com as exigências do mundo em que vivem, aproveitando essas habilidades para o seu desenvolvimento cognitivo e intelectual.
O curso que baseia a disciplina eletiva introduz três eixos principais: leitura, escrita e participação. Cada um deles está relacionado, de maneira geral, a aprender sobre os diferentes gêneros textuais, interpretar informações de acordo com o contexto, produzir conteúdos conscientes, longe de lugares comuns ou discursos de ódio, e até mesmo identificar as notícias falsas, conhecidas como fakenews.
“Quando você contextualiza uma informação a partir da realidade deste aluno, aproveitando um recorte de jornal, um meme, uma imagem de produto, coisas que fazem parte do seu cotidiano, ele passa a se sentir mais participante. Você tem que atraí-lo para a realidade”, complementa Patrícia Blanco.

Eletivas: Complementares e urgentes
Questões como saúde mental,  alfabetismo funcional e combate às notícias falsas fazem parte do cenário em que os estudantes estão inseridos. Foi pensando nisso que o governo paulista lançou o Movimento Inova Escola, com o intuito de aproximar as 5.400 escolas da rede estadual dos avanços e inovações no campo da educação.
Partindo de um modelo pedagógico que leva em conta elementos como Projeto de Vida, Tecnologia e Eletiva sem seu planejamento, o estado de São Paulo pretende oferecer sete disciplinas semestrais para complementar a formação dos jovens. Entre elas estão: Empreendedorismo, Ética e Cidadania, Teatro, Comunicação Não-Violenta, Mediação de Conflitos, Olimpíadas de Conhecimento e Educação Midiática, fruto da parceria com o Instituto Palavra Aberta.
Na opinião do educador Estêvão Zilioli, um dos multiplicadores do EducaMídia, trazer novas perspectivas para o processo de ensino-aprendizagem é urgente. “As revoluções industriais aconteceram, mas as educacionais não. A maioria das escolas educa pessoas que se enquadrariam profissionalmente na primeira Revolução Industrial. Apesar de serem nativos digitais, os estudantes dessa geração são inocentes na maneira de usar as tecnologias e por isso é preciso prepará-los para os processos que envolvem o mundo digital”.
Além de formador de tecnologias educacionais e metodologias ativas, Estêvão também é professor de Biologia em Ourinhos, no interior de São Paulo. Lá, ele desenvolve um projeto de combate às fakenews em um laboratório de checagem de fatos, alimentado com as produções e pesquisas dos estudantes.
“Estimular o protagonismo dos jovens é muito importante para fazer Educação 4.0”, conclui o educador. “O papel do professor é provocar discussões, auxiliar na busca por informações válidas e avaliá-los pelo trabalho em equipe, criatividade e capacidade de resolução de problemas. Justamente o que o mercado de trabalho exigirá deles daqui pra frente”, conclui.


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