Educomunicação é debatida em universidade no Equador

04/04/2019

O tema “Educomunicação na era digital: experiências e perspectivas” foi objeto de debate realizado no dia 3 de abril, na Universidade Técnica Particular de Loja (UTPL), na cidade de mesmo nome, no Equador, com a presença de Ignacio Aguaded, diretor da revista científica Comunicar e professor da Universidade de Huelva, na Espanha. Também tomaram parte no painel as professoras Mônica Maruri, diretora do Instituto de Patrimônio Natural e Cultural do Equador, e Catalina Mier Sanmartín, do Observatório de Comunicação da UTPL.
O site da Associação Católica Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (Signis-ALC) destaca que Aguaded concebe o novo profissional envolvido com a interface entre comunicação, educação e tecnologias da informação nos seguintes termos, expressos no editorial da edição de julho de 2014 da Comunicar, assinado por ele:
O educomunicador não é um simples profissional da mídia, nem do mundo educativo, nem sequer pode ser considerado a soma de ambos. Trata-se de uma nova figura profissional que, a partir de ambas as profissões, oferece um perfil vocacional diferenciado e específico que combina sua bagagem comunicativa com suas competências formativas, uma vez que seu principal destinatário é a “audiência” de uma sociedade midiatizada em seus mais diversos rincões e bordas.
No mesmo texto, o professor afirma ainda que, “dado que vivemos em uma sociedade ‘mediada pelos meios’, precisamos de uma educação, uma alfabetização generalizada dos públicos, pois, como a pesquisa já tem demonstrado persistentemente, o simples consumo dos meios não garante sua visão inteligente, construtiva e criativa”.
Equador e Educomunicação
O tema da Educomunicação se faz presente no Equador há várias décadas, em decorrência do trabalho de organizações sociais, com destaque para as associações católicas voltadas, respectivamente, para as áreas da imprensa, do cinema e do rádio e televisão que deram origem à Signis-ALC, sediada em Quito. Coube a estas organizações assumir, na América Latina, na década de 1990, um debate continental sobre a proposta da Unesco a respeito de uma Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação.
Patrocinado por estas organizações, o pesquisador cubano Pablo Ramos realizou no final dos anos de 1990, uma pesquisa em toda a América Latina sobre o desenvolvimento de práticas de educação midiática, cujo resultado foi publicado no ano 2000, sob o título “Tres décadas de educomunicación en America Latina, caminos desde el Plan Deni”, com prefácio do professor Ismar Soares, presidente da ABPEducom.
A referência ao Plan Deni diz respeito a um projeto nascido no Equador, sob os auspícios das organizações católicas, e que se difundiu por todo o continente, trabalhando produção cinematográfica com crianças e adolescentes. O Plan Deni chegou ao Rio de Janeiro (RJ), no início da década de 1970, através do Cineduc, e influenciou a atual política da Secretaria Municipal de Educação do Rio no que diz respeito ao trabalho em torno do audiovisual nas escolas, numa prática identificada como Mídia-Educação.
Da América Latina para o Brasil
Várias organizações latino-americanas de Educomunicação estiveram representadas, recentemente, no II Congresso Internacional de Comunicação e Educação, promovido em 2018 pela ABPEducom e pelo Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE/USP). Pela Signis-ALC e pela RedEducom, uma articulação continental da área, esteve presente o educomunicador Carlos Ferraro. Já Márcia Koffermann esteve em nome da Rede Salesiana de Escolas, que adota a Educomunicação como um paradigma para suas ações junto à juventude em mais de 70 países.
Fonte: ABPEducom - Imagem: rawpixel.com/Freepik

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