María y Yo

Com grande sensibilidade o escritor Miguel Gallardo aborda o tema do autismo de sua filha no belo livro María y Yo, assinado com ela, e que indicamos a nossos internautas. Pena que o livro ainda não foi traduzido para o português e que as obras em quadrinhos demoram muito a chegar no Brasil. O exemplar que lemos, compramos na Espanha, na livraria Casa Del libro, que tem um rico acervo de quadrinhos.
Reproduzimos abaixo resenha feita pelo jornalista e crítico de quadrinhos, Carlos Ely, cujo blog é nosso parceiro: http://quadrinhos-nona-arte.blogspot.com


O artista espanhol Miguel Gallardo é um bem-sucedido desenhista, com trabalhos publicados em importantes meios de comunicação espanhaois, como o jornal La Vanguadia e periódicos estrangeiros, como os americanos Herald Tribune e o The New York Times. Com diversos prêmios conquistados como ilustrador de livros infantis, Gallardo se lançou em 2007 em um projeto pessoal, corajoso e humano: uma história em quadrinhos sobre sua relação com a filha Maria.

Miguel Gallardo relembra: “Maria não nasceu de uma cegonha. Ela chegou de um planeta distante,como o Super-homem. Demorou 9 meses para chegar a casa e quando o fez, passava a maior parte do tempo dormindo. Maria se tornou nossa alegria. Mas em pouco tempo percebemos que algo se passava. Ela não parecia se dar conta das coisas que a rodeavam. Parecia não nos ouvir. Não correspondia aos nossos abraços. Era como se vivesse em um mundo próprio, sem conexão com o nosso. Em lugar de brincar com seus bonecos, os alinhava como se fosse um desfile...” Maria vive hoje com a mãe nas Ilhas Canárias, tem 15 anos e é autista.

O trabalho de Gallardo é leve, suave tanto no texto quanto nas ilustrações. Ele relembra uma de suas viagens de férias com Maria a um resort lotado de turistas alemães e ingleses. Ao longo do livro, o artista relata as dificuldades e prazeres da convivência com a filha. Antes de tudo, “Maria y Yo” é um contundente manifesto contra o preconceito e em defesa da vida. Gallardo aborda os olhares de crítica e estranheza que ele encontra quando passeia com a filha: “São caras que as pessoas põem quando, por exemplo, Maria começa a berrar no restaurante porque não a deixo comer depressa. Essas caras às vezes me deixam triste e outras vezes, me irritam.”

O livro revela as pequenas descobertas diárias de Maria e desvenda para o leitor um pouco de como se constrói a rotina de uma criança autista: “Na cabeça de Maria, tudo está classificado. Bem ordenado. Há uma caixa para cada coisa. Lhe angustiam as situações inesperadas”.

A psiquiatra infanto-juvenil Amaia Hervas Zúñiga, que assina o epílogo, diz que o maior atrativo de “Maria y Yo” é o fato do livro corrigir muitos preconceitos que rondam as crianças com autismo – uma síndrome que é cada vez mais diagnosticada. Maria não é distante nem fria; mas emotiva e afetuosa. Tudo o que Maria faz tem um significado para ela. Nós também podemos fazer María mais feliz – assim como todas as crianças como ela – simplesmente aceitando-as tal como são: únicas como todos os demais.”



O projeto de Gallardo foi transformado em filme patrocinado por uma organização espanhola dedicada a defender os direitos das crianças com autismo. O filme, nas palavras do diretor Félix Fernandez Castro, é uma viagem de um pai e uma filha em busca de se comunicarem. Uma história real que nos ensina que uma pessoa com autismo é única, como qualquer outra pessoa.

Além do longa metragem, a Fundação Orange produziu também um curta de animação que vem sendo massivamente difundido na Internet com o objetivo de difundir o tema entre a opinião pública. Os dois filmes pretendem chegar ao público em geral e também lançam uma mensagem otimista para os pais e familiares de pessoas com autismo. Muita gente vai pensar que é uma mensagem boa e politicamente correta . Não para mim. Para mim é verdade. São incontáveis as coisas que tenho aprendido com Maria.

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